Presidente disse que pediu ajuda ao então ministro para 'não ser chantageado', mas não foi atendido.

Bolsonaro disse ter descoberto suposta armação por meio de 'amigos policiais'.

O ex-ministro Sergio Moro afirmou na noite desta sexta-feira (22), por meio de mensagem publicada em uma rede social, que não cabia a ele, como ministro da Justiça e Segurança Pública, interferir em investigações da Justiça estadual. Antes de Moro publicar a mensagem, o presidente Jair Bolsonaro havia dito no Palácio da Alvorada que pediu ajuda ao ex-ministro para que o ajudasse a "não ser chantageado".

Bolsonaro se referia a uma suposta tentativa de armação contra ele e os filhos, que, segundo afirmou, seriam alvos de busca e apreensão.

O presidente não explicou quando nem em qual circunstância isso teria acontecido.

Disse que descobriu o que estava "sendo armado" graças a amigos policiais civis e militares. Na rede social, Moro escreveu: "Não cabe também ao Ministro da Justiça obstruir investigações da Justiça Estadual, ainda que envolvam supostos crimes dos filhos do Presidente.

As únicas buscas da Justiça Estadual que conheço deram-se sobre um filho e um amigo em dezembro de 2019 e não cabia a mim impedir". Segundo Bolsonaro, havia possibilidade de busca e apreensão nas casas de filhos dele – três dos filhos são políticos (o vereador Carlos, no Rio; o deputado federal Eduardo; e o senador Flávio).

De acordo com o presidente "provas seriam plantadas" contra eles. O presidente atribuiu as supostas ameaças aos familiares ao governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), a quem acusou de querer destruir a ele e à família. “Sabiam do problema do governador, que queria minha cabeça a todo custo? Que o objetivo dele é ser presidente da República, né? E para isso tinha que destruir a mim e à minha família.

O tempo todo vivendo sob tensão.

Possibilidade de busca e apreensão na casa de filhos meus, onde provas seriam plantadas.

Levantei – graças a Deus tenho amigos policiais civis e policiais militares no Rio de Janeiro – o que estava sendo armado para cima de mim.

‘Moro, eu não quero que me blinde.

Mas você tem a missão de não me deixar ser chantageado’.

Nunca tive sucesso para nada”, disse o presidente.